
O projeto “Meu corpo, meu sangue – ressignificando a menstruação” surge a partir de uma necessidade pessoal de querer falar sobre a menstruação e os vários ciclos femininos sem tratá-los como um tabu irrevogável.
A minha experiência envolvendo o meu ciclo menstrual, que também acredito ser similar a de outros corpos menstruantes é de que, no geral, esse assunto tem sido tratado de forma bastante discreta, no ambiente mais hermético possível, ou seja, o banheiro e unicamente ali. Você acaba se sentindo como no filme “Fight Club”. Primeira regra da menstruação? Não fale sobre menstruação! Segunda regra da menstruação? Não fale sobre menstruação! E você vai repetindo isso para si mesma, interiorizando essa ideia, tornando essa experiência algo muito pior do que é de fato.
Como não falar sobre menstruação? Por que tratar o sangue menstrual como algo sujo, do qual você deveria sentir vergonha? Por que esconder algo que tanto faz parte das nossas vidas?
Confesso que esse não era um assunto tão latente para mim. Eu não pensava muito sobre a minha menstruação e nem qual o tipo de relação que eu desenvolvia com meu sangue. Havia 10 anos que eu tomava pílula anticoncepcional, por conta de um diagnóstico de ovários policísticos (assunto que eu vou aprofundar futuramente) e eu sequer pensava em parar com o medicamento. Até que, há pouco mais de um ano, eu tive uma epifania, muito levada pelo contexto em que eu estava vivendo, que me fez levantar muitas perguntas. Por que eu continuo usando a pílula? Por que eu não procurei outras alternativas? Qual é a relação que eu tenho com meu ciclo menstrual, com meu corpo e com a minha saúde?
Um turbilhão de questões começaram a martelar na minha cabeça e eu senti uma necessidade enorme de ir a fundo em todas elas. Como eu já tenho realizado pesquisas sobre gênero, sexualidade e corpo há alguns anos, fui atrás de textos, vídeos, livros e cursos que tratassem da menstruação e dos ciclos femininos. Tive contato tanto com pesquisas médicas e psico-sócio-antropológicas, quanto com investigações de cunho religioso, místico ou originadas dos saberes tradicionais indígenas e quilombolas.
O universo de possibilidades que essas pesquisas me abriram foi incrível! Encontrei práticas ginecológicas que nunca tinha ouvido falar, partes da anatomia feminina que eu nem sabia que existiam, medicinas não convencionais, enfim, muitas informações valiosas que mudaram a minha percepção sobre mim mesma e meu corpo.
Com todas essas descobertas e com várias conversas pingadas aqui e ali, eu percebi que esse assunto precisa urgentemente ser melhor abordado e que todas as investigações que eu tenho realizado não poderiam ficar guardadas para mim.
A ideia de criar uma rede social que aborde o corpo e a sexualidade feminina sem padrões e sem preconceitos surge deste contexto. Gostaria muito de poder instigar as mulheres e outros corpos menstruantes a conhecerem seus corpos e seus ciclos, incentivando a troca de informações entre nós. Sinto, cada vez mais, que é importante que percamos a timidez em falar sobre nossas vivências pessoais, para que possamos nos fortalecer enquanto indivíduos e também enquanto grupo. Não há vergonha alguma em sermos corpos menstruantes. Não temos que esconder nossos corpos e nossa sexualidade. Nosso corpo não é uma fraqueza! Nosso corpo é uma fonte de poder enorme!
Toda semana eu vou abordar um tema que tenha sido importante para mim e eu convido cada umx a entrar nessa jornada de desconstrução comigo! Leia, fale, aponte, palpite, sugira, chore, grite, ame…não importa! Essa é a sua casa e você pode ser quem você quiser!
Sejam bem vindxs!
Janaina Morais
*Esse post faz parte de uma série de textos criados para o projeto Meu Corpo, Meu Sangue, desenvolvido em 2016 e reflete as ideias e conhecimentos da autora naquele contexto. Se fosse escrito atualmente passaria por um processo de edição e atualização.
*Esse post faz parte de uma série de textos criados para o projeto Meu Corpo, Meu Sangue, desenvolvido em 2016 e reflete as ideias e conhecimentos da autora naquele contexto. Se fosse escrito atualmente passaria por um processo de edição e atualização.
© A Foto deste post é de autoria de Janaina Morais.
