Os primeiros passos rumo à (des)construção

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Quais são as normas de etiqueta menstrual que você aprendeu? Como você lida com seu sangue? Usa absorventes comuns, absorventes internos, biodegradáveis, coletor ou esponja menstrual?

Levanto essas perguntas, pois esse caminho de (des)contrução no qual eu me encontro hoje começou com um primeiro e importante passo: optar pelo uso do coletor menstrual.

A minha primeira menstruação veio aos 12 anos de idade. Eu chamei a minha mãe e ela me deu um “modes” que ela usava na época. Depois eu comecei a comprar o meu próprio absorvente, mas era muito difícil me sentir satisfeita com a minha escolha, primeiro porque o absorvente me gerava um grande incômodo, me sentia constantemente úmida e quente e também porque, geralmente, me dava alergia. Além disso, achar um tamanho que era suficiente para o meu fluxo e que não me causasse tanto desconforto era complicado. Mas tudo bem!

Depois de muito tentar, eu encontro uma marca de absorvente que não é tão ruim assim, passo a utilizá-lo e, de repente, no próximo ciclo, quando volto à farmácia, cadê o bendito? Foi tirado de circulação! Aí eu desisti dos absorventes comuns e passei a experimentar os internos.

O interno resolve o problema de se sentir úmida e quente, não tem o incômodo do absorvente comum na virilha e nem a alergia. Maravilha, né? Mas não é bem assim. O absorvente interno tem um grande problema, ele é um algodão seco, que você introduz no seu canal vaginal, suga toda a menstruação e, inclusive a lubrificação da vagina, depois você retira ele e tem que colocar outro absorvente seco, em um canal também seco. Essa tarefa é um grande suplício. Mas eu não vou desistir dele, pois, afinal, qual outra opção eu tenho?

Vou novamente às pesquisas até que encontro um absorvente interno que não é tão ruim assim, aliás, ele é bem bacana, pois é do tamanho ideal do meu fluxo, tem um aplicador de plástico que acaba com o problema na hora de introduzir o absorvente e, apesar de só ser encontrado em uma única farmácia da cidade e de ele ainda ser mais caro do que qualquer um do mercado, pois é importado, eu acabo comprando, porque o que importa é o meu bem estar. Mas aí, o que acontece, de novo? Ele é tirado de circulação!!! WTF??!!

Passado todos esses anos tentando viver o meu ciclo menstrual da forma mais confortável possível e falhando, eu já não aguenta mais, sabe? Até que em junho de 2014, através de uma notícia que circulava na internet eu descubro o coletor menstrual. E um mundo de outras possibilidades se abre para mim, de absorventes biodegradáveis, sustentáveis e veganos à esponjas e coletores menstruais. Coisas que eu nunca tinha ouvido falar na vida! Foi maravilhoso descobrir que existiam outras alternativas para viver o meu ciclo, que eu jamais iria encontrar na farmácia da esquina.

Então, comprei o meu primeiro coletor menstrual pela internet! Por que eu fiz isso? Se todas as tentativas anteriores frustradas já não bastassem, o coletor me ganhou, principalmente, em cinco pontos:

– Ele é reutilizável, feito de um material siliconado que dura por volta de 10 anos. Você não terá mais que gastar com absorventes por todos esses anos.

– O seu ciclo menstrual não será mais uma razão para você produzir lixo.

– Não tem mais o problema na hora de introduzir o coletor, pois não só o material dele favorece o processo, como ele não interfere na lubrificação do canal vaginal.

– Você tem contato com o seu sangue e com a quantidade real do seu fluxo, o que faz com que você conheça melhor o seu corpo.

– Você não é mais refém do mercado e de todo o processo químico que envolve a produção dos absorventes convencionais.

Não vou dizer que vivo o meu ciclo menstrual da forma mais plena e confortável possível, mas até hoje foi a melhor opção que encontrei para vivê-lo. O uso do coletor tem me proporcionado momentos de introspecção e contato profundo com meu corpo e meu sangue, abrindo novas possibilidades de relação comigo mesma.

Acredito que pode haver um momento em que ele não me atenda mais e eu tenha que buscar outras possibilidades, mas isso não será um problema mais, pois a partir do contato com o coletor, descobri que é possível sim viver o ciclo menstrual de outras maneiras. Eu não preciso me sentir insegura, desconfortável, envergonhada, há outras formas mais sensíveis e empoderadoras para viver esse momento, só temos que ir atrás delas!

Janaina Morais

*Esse post faz parte de uma série de textos criados para o projeto Meu Corpo, Meu Sangue, desenvolvido em 2016 e reflete as ideias e conhecimentos da autora naquele contexto. Se fosse escrito atualmente passaria por um processo de edição e atualização.

*Esse post faz parte de uma série de textos criados para o projeto Meu Corpo, Meu Sangue, desenvolvido em 2016 e reflete as ideias e conhecimentos da autora naquele contexto. Se fosse escrito atualmente passaria por um processo de edição e atualização.

© A Foto deste post é de autoria de Janaina Morais.

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